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Pedidos da primeira CNH crescem 13% após fim da obrigatoriedade da autoescola em São Paulo

Foto do escritor: Mateus Silomar
Mateus Silomar
3 de ago.
2 min de leitura

A flexibilização das regras para obtenção da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) já começa a refletir nos números. Desde que o governo federal extinguiu, em dezembro de 2025, a obrigatoriedade das aulas práticas em autoescolas para candidatos à primeira habilitação, o número de novos processos cresceu 13% nas sete cidades do Grande ABC paulista.


De acordo com dados do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), entre janeiro e junho de 2026 foram iniciados 29.237 processos para emissão da primeira Permissão para Dirigir (PPD). No mesmo período de 2025, antes da mudança, haviam sido registrados 25.963 pedidos.

Entre os municípios da região, Rio Grande da Serra apresentou o maior crescimento proporcional, passando de 354 para 567 processos, alta de 60%. Em seguida aparecem Mauá, com aumento de 24,7% (de 3.844 para 4.794), São Bernardo do Campo, com crescimento de 20% (de 6.963 para 8.344), Ribeirão Pires, com alta de 17,5% (de 924 para 1.086), Diadema, que avançou 9,5% (de 5.565 para 6.093), e Santo André, com crescimento de 5% (de 6.367 para 6.689). São Caetano do Sul foi o único município da região que não registrou aumento no número de solicitações.


A medida, aprovada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), passou a permitir que os candidatos realizem o treinamento prático com instrutores particulares credenciados ou outros profissionais habilitados, eliminando a exigência de contratação de um pacote completo em autoescolas. O objetivo do governo foi reduzir os custos do processo de habilitação e ampliar o acesso da população à CNH.


Mesmo antes da entrada em vigor das novas regras, o setor de formação de condutores já percebia os efeitos da expectativa pela mudança. Anunciada em julho de 2025 pelo então ministro dos Transportes, Renan Filho, a proposta levou muitos candidatos a adiarem o início do processo de habilitação até a regulamentação definitiva.


O impacto, porém, foi sentido de forma significativa pelas autoescolas. Empresários relatam forte redução na procura pelos cursos e dificuldades para manter as equipes de trabalho.


“O movimento para toda a categoria caiu bruscamente. Antes, o aluno, quando iniciava o processo, já fechava um pacote completo. Tínhamos um fluxo de caixa que dava certa estabilidade ao setor. Sem contar que trouxe desemprego em massa. Somente eu tinha dez colaboradores e hoje estou com quatro”, afirmou um diretor de autoescola da região.

Enquanto o número de candidatos à primeira habilitação cresce, o segmento de formação de condutores busca alternativas para se adaptar ao novo modelo, que altera uma das maiores mudanças no processo de obtenção da CNH nas últimas décadas.

 
 
 

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