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Rede de vigilância é essencial para evitar propagação de sarampo em São Paulo

Foto do escritor: SBC Urgente
SBC Urgente
11 de ago.
3 min de leitura

Cobertura vacinal de 75% aumenta o risco de novos surtos; infectologista alerta para a necessidade de manter vacinação elevada e vigilância constante


A concentração de casos de sarampo em São Paulo reforça o alerta para o risco de novos surtos enquanto a cobertura vacinal permanecer abaixo do patamar de 95%, índice considerado necessário para interromper a circulação do vírus e proteger a população de forma coletiva.


Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e presidente da Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde, a entrada de novos casos na capital paulista é esperada diante do intenso fluxo de pessoas que circulam diariamente pela cidade, incluindo viajantes de diferentes países.

Em entrevista à Agência Brasil, Kfouri explicou que o ciclo de incubação e transmissão do sarampo dura aproximadamente 20 dias. São cerca de dez dias de incubação até o aparecimento dos primeiros sintomas, além de um período em que a pessoa pode transmitir o vírus antes e depois do início da febre.


“Uma pessoa completamente imunizada não se torna um transmissor”, explicou o especialista, ressaltando que pessoas que não completaram o esquema vacinal permanecem mais vulneráveis à infecção e podem contribuir para a continuidade da cadeia de transmissão.


O sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode ser transmitido por meio de gotículas eliminadas durante a fala, tosse ou espirro. Por isso, a manutenção de altas coberturas vacinais é considerada uma das principais estratégias para impedir que casos importados provoquem novos surtos.


Na cidade de São Paulo, entretanto, a cobertura está em torno de 75%, segundo os dados apresentados pelo infectologista. O percentual está abaixo do nível de 95% considerado necessário para garantir uma proteção coletiva adequada.


Vacinação e vigilância


Para Kfouri, manter o país livre do sarampo depende de dois pilares fundamentais: vacinação e vigilância epidemiológica. A identificação rápida de casos, o isolamento dos pacientes e a vacinação das pessoas que tiveram contato com os infectados são medidas importantes para impedir que o vírus continue circulando.


“Para manter o país livre do sarampo, temos dois pilares: a vacinação e a vigilância”, afirmou.

O especialista destacou ainda que São Paulo possui uma característica que torna o trabalho de vigilância particularmente importante: a cidade funciona como um grande ponto de conexão nacional e internacional, recebendo diariamente pessoas de diferentes regiões e países.


“São Paulo é um hub, uma cidade onde há eventos internacionais diários. A entrada de sarampo vai ocorrer, e por isso precisamos voltar a manter altos índices vacinais para evitar a transmissão de casos, mas também mantê-la homogênea”, explicou.


A preocupação não está apenas na média geral de vacinação. A distribuição da cobertura entre diferentes bairros e comunidades também é considerada fundamental para impedir a formação de áreas vulneráveis.


Bolsões de baixa vacinação


De acordo com o infectologista, uma região com baixa cobertura pode se transformar em um “bolsão” suscetível à transmissão. Nesses locais, a chegada de uma pessoa infectada pode encontrar um número maior de indivíduos sem proteção adequada, favorecendo o surgimento de novos casos.


Por isso, além de ampliar a vacinação, as autoridades de saúde precisam identificar áreas com cobertura abaixo do recomendado e intensificar as estratégias de imunização nesses territórios.


O cenário reforça a importância da manutenção de uma rede de vigilância capaz de detectar rapidamente novos casos, rastrear contatos e adotar medidas de controle. Em uma cidade com grande circulação de pessoas como São Paulo, a prevenção depende não apenas da resposta aos casos já identificados, mas principalmente da capacidade de impedir que eles iniciem novas cadeias de transmissão.


A combinação entre vacinação elevada, cobertura homogênea e vigilância epidemiológica permanece, portanto, como estratégia central para evitar que a reintrodução do sarampo resulte em novos surtos no país.

 
 
 

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